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ilustração

CEM ANOS DE SOLIDÃO, a deriva 

2017

O projeto 'Cem Anos de Solidão - a deriva" convida o leitor a uma experiência de jogo no universo do realismo fantástico criado pelo escritor colombiano Gabriel Garcia Marquez. Lançado em 1967 o romance completava 50 anos no ano de 2017, o que motivou a escolha do tema para o projeto realizado quando eu ainda era estudante da PUC-Rio. 

Descartando a ideia de um livro ilustrado, considerei uma nova configuração de leitura na qual fragmentos do livro cuidadosamente selecionados tomam forma gráfica em representações ilustradas com aquarela e nanquim. 

As lâminas funcionam numa espécie de quebra-cabeça, no qual em uma face encontra-se a ilustração e do outro o fragmento de texto correspondente e parte da árvore genealógica da família Buendía, forte característica da história.

O resultado é uma forma de homenagem ao autor e à obra, uma das minhas prediletas, que caminha na corda bamba entre
o real e o mundo imaginário de Macondo. Orientador: Guto Lins.

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Exemplo de montagem das lâminas com umas faces viradas para cima e outras para baixo.

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“Macondo era então uma aldeia de vinte casas de barro e taquara, construídas à margem de um rio de água diáfanas que se precipitavam por um leito de pedras polidas, brancas e enormes como ovos pré-históricos. O mundo era tão recente que muitas coisas careciam de nome e para mencioná-las se precisava apontar com o dedo.”

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“As coisas têm vida própria”, apregoava o cigano com áspero sotaque, “tudo é questão de despertar a sua alma.”

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“Pasmada de terror, perseguida pela fatalidade do destino, Visitación reconheceu nesses olhos os sintomas da doença cuja ameaça os havia obrigado, a ela e ao irmão, a se desterrarem para sempre de um reino milenário no qual eram príncipes.
Era a peste da insônia."

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“Nesse estado de alucinada lucidez não só viam as imagens dos seus próprios sonhos, mas também uns viam as imagens sonhadas pelos outros. Era como se a casa se tivesse enchido de visitas."

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“A casa se encheu de amor. ”

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“Nesse dia meteu-se n’água por um mau caminho e só o encontraram na manhã seguinte, vários quilômetros mais abaixo, encalhado numa curva luminosa e com um urubu solitário de pé sobre o ventre."

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“Pouco depois, quando o carpinteiro tomava as medidas para o ataúde, viram pela janela que estava caindo uma chuvinha de minúsculas flores amarelas. Caíram por toda a noite sobre o povoado, numa tempestade silenciosa, e cobriram os tetos e taparam as portas, e sufocaram os animais que dormiam ao relento. Tantas flores caíram do céu que as ruas amanheceram atapetadas por uma colcha compacta, e eles tiveram que abrir caminho com pás e ancinhos para que o enterro pudesse passar.”

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“Para o povo de Macondo, era uma distração recente percorrer as úmidas e intermináveis avenidas ladeadas de bananeiras, onde o silêncio parecia trazido de outra parte, ainda sem usar, e por isso era tão difícil transmitir a voz. Às vezes não se entendia muito bem o que era dito a meio metro de distância e que, entretanto se tornava perfeitamente compreensível no outro extremo da plantação.”

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“Ás vezes lhe doía ter deixado com a sua passagem aquele riacho de miséria e às vezes sentia tanta raiva que espetava os dedos nas agulhas, porém mais lhe doía e com mais raiva ficava e mais lhe amargava o fragrante e bichado goiabal de amor que ia arrastando até a morte. ”

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“Numa sexta-feira, às duas da tarde, iluminou-se o mundo com um sol bobo, vermelho e áspero como poeira de tijolo e quase tão fresco como
a água, e não voltou chover durante dez anos."

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“[…] o tempo sofria tropeços e acidentes e podia, portanto,
se estilhaçar e deixar num quarto uma fração eternizada.

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“[…]  porque um século de cartas e de experiência lhe ensinara que a história da família era uma engrenagem de repetições irreparáveis, uma roda giratória que continuaria dando voltas até a eternidade,
se não fosse pelo desgaste progressivo e irremediável do eixo."

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“Aquela aproximação de dois solitários do mesmo sangue estava muito longe da amizade, mas permitiu a ambos sobreviver melhor à insondável solidão que ao mesmo tempo os separava e unia."

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“[…] e sem que ele lhe tivesse revelado que estava chorando de amor, ela reconheceu imediatamente o pranto mais antigo da história do homem.”

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“[…] e que tudo o que estava escrito neles era irrepetível desde sempre e por todo sempre, porque as estirpes condenadas a cem anos de solidão não tinham uma segunda oportunidade sobre a terra.”

Livro-objeto "Cem anos de Solidão - a deriva" antes da mudança de nome. A alteração ocorreu depois da devolutiva da banca.

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Rio de Janeiro, BRASIL

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